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fevereiro 14, 2018

AMO-TE ou TE AMO?


Dizem as más-línguas (mas também as boas) que o amor é coisa complicada. Como vamos ver, exprimi-lo também tem os seus quês.
Quanto ao dilema “Amo-te” ou “Te amo”, a resposta, longe de ser sim ou não, é depende…
A. 
AMO-TE
1. Na afirmativa, quando é uma frase ou a inicia:
.AMO-TE!
.AMO-TE mais do que a mim a próprio.
.Então, olhou para ele e disse-lhe com emoção: AMO-TE!
B. 
TE AMO
1. Na negativa:
Não TE AMO!
2. Quando não inicia a frase, sobretudo depois de QUE:
.É claro que TE AMO muito!
.Podes ter a certeza de que TE AMO desde o dia em que te vi.
.Se soubesses realmente como TE AMO, terias mais confiança em mim.
Mas: No Brasil, a letra e a música são outras. É sempre TE AMO (“Tche amo”)!

É bom não esquecer: hoje, mas também ontem e sempre, “é urgente o amor”! (Eugénio de Andrade)
Abraço.
ProfAP
Imagem encontrada AQUI.

janeiro 28, 2018

A despedida - António Correia de Oliveira


Há quase 50 anos, numa aula de Português, tive um dos primeiros sucessos como comunicador. Um dia, a professora (figura muito alta, austera, antipática, e sempre sarcástica, a quem chamávamos, entre nós, "o escadote") informou-nos de que, na aula seguinte, teríamos de falar para toda a turma durante um a dois minutos sobre um tema à nossa escolha, coisa rara para a época, uma vez que quem falava sempre era o professor. 
Embora tivesse medo da senhora, escolhi, como estratégia de sobrevivência, um poema do manual ("A despedida", de António Correia de Oliveira) e, depois de um treino intensivo diante do espelho do guarda-fatos, memorizei-o.
No dia da provação, enchi os pulmões e recitei o texto (uma declaração de amor), tendo como destinatário secreto a Maria Alfredo, uma colega de turma com sardas lindas por quem estava perdido de amores. E correu bem, não fizesse o amor milagres! A professora saiu-se com algo do tipo: "Quem havia de dizer! Uma mosca morta que fez alguma coisa de jeito!" Descontei a metáfora da "mosca morta" e fui-me sentar satisfeito.
Perdi "A despedia" de vista e, nos últimos 20 anos, fiz várias tentativas para a reencontrar, sobretudo na internet, pois mantive na memória a maior parte do texto.
Ontem, lembrei-me de voltar às pesquisas e, com surpresa, encontrei-o no Instagram de vistosa atriz brasileira (Isis Valverde, na imagem acima apresentada), que não conhecia. A jovem transcreve o poema da minha infância/juventude, mas não identifica o autor, o que levou os leitores a atribuir-lhe a autoria...
Seja como for, o importante é que posso partilhar um das mais bonitos e simples poemas de amor que conheço:
A Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
«Até logo», «até à vista»
Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus» é lindo, mas triste;
«Adeus» … A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo» é já mais doce;
Tem distância e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista» lembra voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.

António Correia de Oliveira (1879-1960): 
Com extensa obra publicada, tornou-se um dos poetas do Estado Novo, com elevado número de textos escolhidos para os livros únicos de língua portuguesa do ensino primário e secundário. 
Foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura, pela primeira vez em 1933, tendo sido nomeado num total de quinze vezes em nove anos.
(In https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Correia_de_Oliveira)

Abraço.
ProfAntónio

julho 18, 2017

2 000 000 de visitantes!


Hoje mesmo, este blogue, dedicado, com muito gosto e empenho, à reflexão sobre questões da língua portuguesa, atingiu um número mágico de entradas: 2 000 000!

Aqui fica o top 10 do blogue:
1. Brasil
2. Portugal
3. Estados Unidos
4. Angola
5. Reino Unido
6. Moçambique
7. França
8. Espanha
9. Alemanha
10. Japão

Obrigado pela confiança e um grande abraço para todos, especialmente aos amigos brasileiros (68% do total de visitantes).
ProfAP

julho 04, 2017

os media, os média ou os mídia?

A.   Sempre escrevi e ensinei os media, pronunciado com o “e” aberto, como se lá houvesse um acento agudo.
B.   Vários dicionários registam as formas média e media.
C. Os nossos irmãos brasileiros, com sentido prático, criaram os mídia. Nos dicionários de português do Brasil, também encontrei media, sempre sem acento, mas tenho a perceção de que o termo que costumam utilizar é mesmo mídia.

D.   CONCLUSÕES:
1. Não há fundamento para o uso, em Portugal, de mídia, uma vez que é uma palavra confinada ao Brasil.
2. Considerando a diversidade de perspetivas das fontes, parece-me que tanto média como media são opções corretas. Continuo a preferir media, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, que não regista média, ou o Ciberdúvidas. Transcrevo, com a devida vénia, um extrato de uma resposta dada a um consulente:
Mesmo quem diga media, acentuando o e e com valor de plural, não pode usar o acento gráfico, porque está a usar um plural neutro latino, media, cujo singular é medĭu-, «meio». A pronúncia “mídia” é a imitação da que lhe dão os ingleses.” F. V. P. da Fonseca:: 15/06/2007
Revisão da matéria:
Portugal: media e o não consensual média
Brasil: mídia
Bom resto de domingo!
ProfAP
P.s.: Para informações com mais detalhes sobre este assunto, clique AQUI.

junho 28, 2017

Exame de Português não será anulado? Boa, Sr. Ministro!


Defendo um ensino de qualidade estimulador de aprendizagens consistentes que articulem conhecimentos e competências.
Quanto aos exames, nunca fui (nem sou) grande fã. Uma revisão da literatura sobre o assunto não deixa dúvidas. Recorrendo a uma das obras mais emblemáticas neste domínio (“Evaluation continue et examens : précis de docimologie”, de Robert de Landsheere), está lá, preto no branco, que os exames têm o efeito perverso de afunilamento do currículo. Os professores e alunos trabalham os exames e para o que é neles valorizado. À volta dos exames, inventam-se cadernos de exercícios de treino (fonte apetecível de rendimentos para as editoras), explicações “à la carte” para todos os gostos e os famosos e não menos perversos rankings
E os exames não podem ter contrapartidas positivas? Podem, numa única circunstância: se forem bem construídos, com validade e fiabilidade sólidas. Continuará a haver afunilamento do currículo, mas será um afunilamento atenuado pela qualidade do “modelo” que professores, alunos, editoras e explicadores vão replicar até à exaustão. 
Os exames do nosso sistema educativo são de qualidade? Não os conheço todos, mas a ideia que tenho é que se transformaram num ritual complicado, com erros e broncas aqui e ali e critérios de correção que, sob o pretexto atingirem o suprassumo da objetividade, são um verdadeiro suplício de Tântalo para os corretores.
Quando li esta notícia, fiquei de boca aberta:
Apesar das suspeitas de fuga de informação, o Ministro da Educação garante que exame de Português não será anulado ou repetido
O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, garantiu hoje que o exame de Português do 12.º ano, cuja eventual fuga de informação está a ser investigada, não vai ser anulado.
Segundo o ministro, caso se confirme que houve uma fuga de informação, "o ministério agirá civil, disciplinar e criminalmente contra o seu autor ou autores.
"Se alguém saiu beneficiado, sofrerá as consequências previstas no regulamento", declarou.

Ou seja, o Ministro admite a possibilidade de ter havido a fuga de informação, mas não anula o exame, pois o ministério irá castigar os seus autores. E mais: se alguém saiu beneficiado, irá ser descoberto e punido. Ingenuidade ou apenas vontade de não ser "chateado" e ir pra férias como se nada se tivesse passado?
Qual à validade deste exame, estamos conversados!
Já agora, é bom recordar o que disse, em janeiro de 2016, o atual Ministro da Educação sobre o modelo de exames: "errado e nocivo". 
Abraço para todos, em especial para os colegas que andam a vigiar, a corrigir e a secretariar estes maravilhosos instrumentos do complex em que se transformou o trabalho nas escolas desde o reinado da Sr.ª D. Maria de Lurdes Rodrigues!
ProfAP
Imagem da revista VISÂO online.

Os cinco erros mais comuns do português começados por "a"!

A língua portuguesa tem que se lhe diga. Aqui vos deixo cinco casos começados pela letra "a".

ACERCA: esta palavra não tem acento.
AÇORIANO: apesar de se tratar de um gentílico referente aos Açores, escreve-se com "i", açoriano.
ADESÃO: é diferente de aderência.
ALCOOLEMIA...e não alcoolémia.
ANTEPOR: não tem acento, por isso não se deve escrever "antepôr".

Fonte: Jornal de Notícias - LÚCIA VAZ PEDRO (Professora de Português e formadora para a área da língua portuguesa).


Abraço.
ProfAP

junho 27, 2017

terramoto ou terremoto?


Há quem defenda que terremoto é uma grafia brasileira e terramoto a versão para o português europeu. Será assim? 


PORTUGAL
Apenas a Infopedia associa terremoto ao Brasil. Tanto o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa como o dicionário Priberam validam terremoto e terramoto.

BRASIL
Ao contrário do Vocabulário da Academia Brasileira (que regista apenas terremoto), os dicionários Aulete, Houaiss e Michaelis apresentam verbetes para ambos os termos.

Conclusões:
PORTUGAL e BRASIL
terramoto e terremoto
Nota 1: Embora terramoto seja mais comum em Portugal e terremoto no Brasil, nada impede o falante de usar, cá ou lá, qualquer das grafias.
Nota 2: Ambos os termos provêm do latim terrae motus (movimento de terra).

Abraço.
AP