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outubro 31, 2012

.sim, senhor OU sim, senhora?

Imagem encontrada AQUI.
Este é um assunto relativamente complexo, pois as fontes não coincidem na resposta.
1. Flip
Na rubrica Dúvidas Linguísticas é dada esta resposta em 2005: “As palavras senhor ou senhora são usadas como formas de tratamento de cortesia em relação a alguém a quem nos dirigimos. Assim, devem concordar em género e número com o destinatário da mensagem (ex.: As senhoras desejam chá? [sendo o destinatário feminino plural]; O senhor dá-me licença? [sendo o destinatário masculino singular]).
Na frase em questão na sua dúvida, trata-se de uma resposta dada coloquialmente (ex.: sim, senhora, trago-lhe já; não, senhores, não podem fazer isso), mas que mantém a forma de tratamento e deve obedecer à concordância lógica com o destinatário, pelo que a frase deverá ser, com um destinatário do sexo masculino, Sim, senhor, trago-lhe já.
Simples e fácil de aplicar, mas bom de mais para ser verdade, como vamos ver noutras fontes.
2. Ciberdúvidas
2.1 2006:
Pergunta:Li num prontuário que comprei a expressão «Sim, senhor» deve ser adaptada em função do receptor, ou seja: a uma mulher digo «sim, senhora»; a um homem, «sim, senhor»; a dois homens, «sim, senhores»; a duas mulheres, «sim, senhoras». É de facto assim, ou também posso usar «sim, senhor», independentemente de com quem falo?
Resposta:Na avaliação da pertinência ou corre(c)ção de qualquer enunciado é sempre necessário atender ao contexto situacional e discursivo envolvente.
Assim, se o enunciado em causa for uma resposta positiva na sequ[ü]ência de uma ordem dada a um subordinado, o locutor diz «Sim, senhor(a)» ou «Sim, senhores(as)».
No entanto, é comum o uso de «Sim, senhor» em enunciados iró[ô]nicos, e aí a expressão parece funcionar como uma expressão fixa ou lexicalizada (e não varia, portanto).
Um dado novo: em enunciados irónicos, “sim, senhor” pode ser invariável, independentemente do recetor. Complica-se o caso…
2.2 Rubrica “Controvérsias”, em 1998:
Peixoto da Fonseca, respondendo a um artigo do Expresso, diz: “Concordo com tudo o que diz sobre "sim, senhor" (ou senhora); se estivermos muito admirados, por exemplo, é-nos lícito exclamar "sim, senhora!", sem pensar em qualquer espécie de interlocutor, que pode até nem existir. Fenómenos interessantes da língua portuguesa!
Mais uma acha para a fogueira. Afinal, também pode dizer-se “sim, senhora!”, sem termos em conta o interlocutor?
CONCLUSÕES POSSÍVEIS:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
1. Na resposta a alguém, numa situação de comunicação, como fórmula de cortesia:
sim, senhor/sim, senhora/sim, senhores/sim, senhoras, em função do sexo do(s) interlocutor(es).
Exemplo: “Traga-me um café, por favor.” (Sofia) / “Sim, senhora.” (empregado)
2. a) Com uma intenção irónica ou numa manifestação de espanto:
sim, senhor/sim, senhora, independentemente do interlocutor.
Exemplo:Sim, senhor (ou sim, senhora), lindo serviço!”
    b) Como sinónimo de “sem dúvida!”, “claro que sim!”:
sim, senhor/sim, senhora, independentemente do interlocutor.
Exemplo: “Já fizeste os trabalhos?” (pai) “Sim, senhora! (filho).
Abraço.
AP
P.s.
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Dicção, dição ou tanto faz?


outubro 30, 2012

slogan ou slôgane?

A imagem veio dAQUI.
A. Slogan
O estrangeirismo do inglês (vindo de slogorn, do gaélico-escocês, significando “grito de guerra”) está nos dicionários (portugueses e brasileiros) e no Portal da Língua Portuguesa, mas não no VOLP da Academia Brasileira das Letras.
B. Slôgane
Quanto à forma adaptada slôgane, não é usada no Brasil. Em Portugal, não está registado no Portal, mas encontramo-lo no dicionário online da Priberam e no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, o que parece legitimar a sua utilização no português europeu.
No Ciberdúvidas, há um artigo de Francisco Belard (“Apita o comboio”), publicado em 2003, muito crítico em relação a esta forma adaptada. Pode lê-lo AQUI.

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
slogan (em itálico ou entre aspas) e slôgane
Brasil (norma brasileira)
slogan (em itálico ou entre aspas)
Notas:
1. Encontrei a forma "eslogã" nalguns blogues brasileiros. No entanto, nem a Academia das Letras nem os dicionários do Brasil a registam.
2. Tenho a ideia de que no Brasil o s inicial se pronuncia é “es.

Abraço.
AP
 

outubro 29, 2012

ferryboat, ferribote ou ambas as formas?

Imagem encontrada AQUI
 
As situações que vos tenho apresentado aqui no blogue têm remetido para a ideia de que a norma brasileira é muito menos aberta aos estrangeirismos. Em muitos casos, o português europeu integra o estrangeirismo e a respetiva adaptação, limitando-se o Brasil à adaptação, como vimos ontem com aiatolá.
Pelo que fica dito, o caso de hoje é atípico.
A. Ferryboat (pronúncia: como em inglês)
Presente em todos os dicionários portugueses, mas nem todos os brasileiros registam a palavra. Está no Aulete e no Houais, mas não no Michaelis, Aurélio ou VOLP da Academia Brasileira das Letras.
B. Ferribote (pronúncia: “ferribót”)
Não faz parte de nenhuma fonte do Brasil.
Quanto a Portugal, encontramos esta forma adaptada nos dicionários da Porto Editora, da Verbo e no VOP do Portal da Língua Portuguesa. A primeira fonte a registar a palavra foi, em 2001, a Academia das Ciências de Lisboa.
CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
ferryboat (em itálico ou entre aspas) e ferribote
Brasil (norma brasileira)
ferryboat (em itálico ou entre aspas)
Nota: Será que não há outra palavra no Brasil? Peço a ajuda dos internautas.
Abraço.
AP
P.s.
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Em português atual: cão-salsicha ou cão salsicha?


outubro 28, 2012

ayatollah, aiatola ou aiatolá?

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A. Ayatollah
Não é comum vermos esta forma na língua portuguesa e não a encontramos nos dicionários. No entanto, o registo no Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa valida a sua utilização (apenas do lado de cá do Atlântico).
B. Aiatola
É a versão que encontramos em todos os dicionários do português europeu. É uma palavra grave (paroxítona), pronunciada “aiatóla”.
C. Aiatolá
É o único termo que a Academia das Letras e os dicionários brasileiros registam e não é válido para a norma luso-afro-asiática.

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
ayatollah (em itálico ou entre aspas) e aiatola
Brasil (norma brasileira)
aiatolá
Nota: Do árabe ayat allah (sinal de Alá).

Abraço.
AP
P.s.
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Em português atual: saca-rolhas, saca rolhas ou sacarrolhas?

outubro 27, 2012

site, sítio ou tanto faz?

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Em Portugal, todas as fontes registam as duas formas, embora a adaptação sítio seja muito menos usada.
Quanto ao Brasil, embora a Academia das Letras, ao contrário da generalidade dos dicionários brasileiros, não o registe, o estrangeirismo site parece ser a forma mais utilizada. Sítio, que surge em vários dicionários, nesta aceção, é muito menos utilizado. O sentido generalizado da palavra é “pequena fazenda nos arredores de uma cidade”. Basta pensar no “Sítio do Picapau Amarelo”.

 
CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
site (entre aspas ou em itálico; pronunciado “saite”) e sítio
Notas: Site é um estrangeirismo importado do inglês, mas a sua origem é o latim situs.
IMPORTANTE: Serão muito bem-vindos os comentários dos cibernautas brasileiros que tenham dados (referindo as fontes) que possam completar ou corrigir as informações que aqui partilho. Deixe um comentário ou envie mensagem (professor.ap@gmail.com). Desde já, obrigado.
 
Abraço.
AP
P.s.
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Em português atual: saca-rolhas, saca rolhas ou sacarrolhas?

outubro 26, 2012

descriminar ou discriminar?

Imagem vinda dAQUI 
Um dos erros mais comuns, induzido pela pronúncia do i de “dis” (sobretudo do sul de Portugal), é escrever descriminar em vez de discriminar.
Ambas as formas são possíveis, mas em contextos diferentes.
A. descriminar
Significa, em geral, tirar a culpa a, legalizar. É sinónimo de descriminalizar.
Exemplo: “Descriminar do uso de drogas leves? Nunca!
B. discriminar
Os sentidos mais comuns são diferenciar/distinguir, tratar de forma injusta e listar com minúcia.
Exemplo: “Essa lei vai discriminar as pessoas mais pobres!

 CONCLUSÃO:
Portugal (norma luso-afro-asiática) e Brasil (norma brasileira)
descriminar e discriminar (mas com sentidos distintos)
Notas: ---

Abraço.
AP

outubro 25, 2012

guichet, guiché ou guichê?

A imagem veio dAQUI.
A. guichet (pronúncia: “guiché”; plural: guichets)
Estrangeirismo (do francês) utilizado apenas no português europeu.

B. guiché (pronúncia: “guiché”; plural: guichés)
Sendo a forma mais usual em Portugal, concluo que não o é no Brasil, uma vez que, embora a Academia Brasileira das Letras a registe, os dicionários mais conhecidos (Aulete, Houaiss e Michaelis) ignoram-na.

C. guichê (pronúncia: “guichê”; plural: guichês)
Claramente, a grafia em vigor no Brasil. Em Portugal, o Portal da Língua Portuguesa, a Academia das Ciências e os dicionários da Porto Editora apresentam a palavra, mas circunscrevem-na à norma brasileira.

Se tiver dúvidas, escreva… postigo!

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
guichet (em itálico ou entre aspas) e guiché
Notas: ---
Brasil (norma brasileira)
guichê
Notas: ---

Abraço.
AP

outubro 24, 2012

É o português a 4ª língua mais falada no mundo?

Ao longo dos anos, tenho visto a língua portuguesa colocada nas posições 5, 6 ou 7. Seguindo as fontes mais fidedignas, seríamos a 6ª língua mais falada no mundo.
Há pouco, encontrei, no Facebook, informações sobre o assunto que me surpreenderam. Com o título A Língua Portuguesa é a 4ª língua mais falada no mundo.”, transcrevo, com a devida vénia, a totalidade da mensagem:


Clique no gráfico e veja-o em tamanho aumentado
 
Algumas publicações apresentam o árabe entre as 10 línguas mais faladas. No entanto, a 1ª língua árabe que aparece nesta listagem é a do Egito, com 54 milhões de falantes.
Fontes:
Para todos os países à excepção de Portugal: Ethnologue (línguas maternas)
Fonte Relativa à população: Nações Unidas
Para o caso da Língua Portuguesa: cálculo conforme apuramento que se apresenta em "Falantes de Português"

Clique AQUI e entre no Observatório da Língua Portuguesa.

Abraço.
AP

outubro 23, 2012

édredon, edredom ou edredão?

Imagem retirada dAQUI
De origem sueca, alemã ou islandesa (consoante as fontes), o termo chega à nossa língua pelo francês édredon.

A. Édredon (plural: édredon. Fonte: Portal da Língua Portuguesa)
Embora a generalidade dos dicionários não registe o termo, encontramo-lo, como estrangeirismo do francês, no Portal da Língua Portuguesa e no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
Tanto os dicionários brasileiros como a Academia das Letras do Brasil não admitem esta forma.
B. Edredom (plural: edredons)
Segundo Maria Celeste Ramilo (Ciberdúdivas), “são poucas as palavras que subsistiram na língua a partir do século XVI com terminação em –om”. As principais entradas na língua portuguesa de palavras com esta terminação dão-se com adaptações de termos importados de outras línguas (batom, garçom, pompom, etc.). É o caso também do nosso tema de hoje: edredom. É uma forma registada em todas as fontes (em Portugal e no Brasil).
C. Edredão (plural: edredões)
Esta é uma adaptação mais “portuguesa” do que a anterior, presente também em todos os dicionários. É a única designação que Cândido de Figueiredo inclui no seu dicionário de 1913, com a anotação de que é “proximamente o mesmo que goderim, cócedra, almadraque ou almatricha.” A “almatricha”, perdeu-se na poeira do tempo e deixou de ter direito a verbete nos dicionários de ambos os lados do Atlântico…

CONCLUSÕES:
Portugal (norma luso-afro-asiática)
édredon (em itálico ou entre aspas), edredom e edredão
Notas: ---
Brasil (norma brasileira)
edredom e edredão
Notas: ---

Abraços.
AP




P.s.
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O Acordo Ortográfico mexeu-nos no papo-seco?




 





outubro 22, 2012

Ângela Merkel é: chanceler, chanchelera ou chancelerina?

Imagem encontrada AQUI.
                          O que os ventos da crise fazem às pessoas...

O assunto de hoje ocorreu-me depois de ter ouvido, no seu comentário de ontem, o prof. Marcelo Rebelo de Sousa admitir que não sabia que forma utilizar para referir à chefe do governo alemão.
Dito isto, vamos ao assunto.
A. No Ciberdúvidas, há duas respostas sobre o assunto.
1. Na primeira, em outubro de 2005, C. R. considera que podemos “dizer que chanceler se está a tornar em português um nome uniforme”.
2. Na segunda, dois meses mais tarde, Carlos Rocha, depois apresentar a opinião de outros consultores do Ciberdúvidas, referindo F. V. Peixoto da Fonseca (que admite chancelera), D´Silvas Filho (que entende que chanceler deve ser usado para ambos os géneros) e José Neves Henriques (que aceita as três formas), escreve: “Todas me parecem possíveis e duas estão a ser realmente usadas, chanceler («a chanceler») e "chancelerina". Esta última não é de rejeitar; basta lembrar que maestro tem como feminino maestrina. Contudo, calculo que os mais puristas terão reservas quanto ao emprego de uma forma que é sugerida pela forma alemã (“Kanzlerin” – “chancelerina”). Fico à espera que surjam mais “chancelerinas” – no discurso falado e escrito em português.
B. Enquanto o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa e o VOP do Portal da Língua Portuguesa registam apenas chanceler como nome masculino, os dicionários da Texto Editores e da Porto Editora apresentam dois sentidos: 1. “funcionário encarregado de pôr a chancela em documentos oficiais” (masculino); 2. “chefe do governo em certos países” (masculino e feminino”).
C. No Brasil, enquanto os dicionários Houaiss e Michaelis registam chanceler com sendo masculino, o Aulete, o Aurélio e o VOLP da Academia Brasileira das Letras admitem os dois géneros.

Como diz Carlos Rocha, surgindo mais “chancelerinas” e “chanceleras” nos media, é natural que os dicionários venham a admitir uma ou ambas as designações. Para já, considerando o que os vocabulários e dicionários dos dois lados do Atlântico dizem, parece-me que só uma grafia pode ser considerada válida: chanceler (masculino e feminino).

CONCLUSÃO:
Portugal e Brasil
o/a chanceler

Abraço!
AP