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março 29, 2013

.no Chipre OU em Chipre?

República do Chipre... Será mesmo DO?

Agora que tanto se fala da desgraçada situação económica nesta ilha, ouvimos e lemos, consoante os emissores, “Chipre” vs. “o Chipre”, “em Chipre” vs. “no Chipre”, etc.
Quem tem razão? Há regras que nos possam ajudar a identificar o uso correto ou esta pequena república é uma exceção?

1. As regras determinam que devemos empregar “normalmente o artigo definido com os nomes dos países, regiões, continentes, montanhas, vulcões, desertos, constelações, rios, lagos, oceanos, mares e grupos de ilhas: o Brasil, a França, os Estados Unidos, a Guiné, a África, o Himalaia, os Alpes, o Saara, o Nilo, o Atlântico, o Mediterrâneo, os Açores.»
2. No entanto, são várias as exceções:
a) Nomes de países e regiões que costumam rejeitar o artigo: Portugal, Angola, Moçambique, São Salvador, etc.
b) Nomes de países que podem escrever-se com e sem artigo: Espanha, Inglaterra e Itália, por exemplo.
c) Os nomes das cidades, de localidades e da maioria das ilhas: Paris, Lisboa, Creta, Malta.
No entanto, alguns nomes de cidades construídos a partir de nomes comuns conservam o artigo. Exemplos: o Rio de Janeiro, a Guarda, o Porto.

Resposta:
Quanto a Chipre, é um dos casos referidos em a). Logo, é uma exceção à regra. Assim sendo, o correto é o uso sem artigo, pelo que devemos dizer: "Vivo em Chipre.”;“Venho de Chipre.”; “Vou para Chipre” e... "República de Chipre"!

Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Lindley Cintra e Celso Cunha, citada pelo Ciberdúvidas (AQUI).

Abraço.
AP

março 28, 2013

.terramoto ou terremoto?

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Há quem defenda que terremoto é uma grafia brasileira e terramoto
a versão para o português europeu. Será assim?
 
PORTUGAL
Apenas a Infopedia associa terremoto ao Brasil. Tanto o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa como a Priberam validam terremoto e terramoto.

BRASIL
Ao contrário do Vocabulário da Academia Brasileira (que regista apenas terremoto), os dicionários Aulete, Houaiss e Michaelis apresentam verbetes para ambos os termos.

Conclusões:
PORTUGAL e BRASIL
terramoto e terremoto
Nota 1: Embora terramoto seja mais comum em Portugal e terremoto no Brasil, nada impede o falante de usar, cá ou lá, qualquer das grafias.
Nota 2: Ambos os termos provêm do latim terrae motus (movimento de terra).

Abraço.
AP

março 24, 2013

.Cupido ou cúpido?

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Ambas as grafias são possíveis, mas com sentidos bem distintos.
A. cúpido – palavra proparoxítona, adjetivo (do latim cupĭdu-, «desejoso»)
Ávido, extremamente ambicioso.
B. cupido - palavra paroxítona, nome (do latim cupīdo, «Cupido, filho de Vénus; deus do amor»)
Deus do amor, personificação do amor.

 
Abraço.
AP


março 23, 2013

.Verbo negociar: negocio ou negoceio?

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A. Temos dois tipos de verbos com conjugações distintas:
. em ear (com o presente terminado em eio, -eias, -eia: presenteio, presenteias, presenteia);
. em iar (com o presente a acabar em –io, -ias, -ia: avalio, avalias, avalia).
B. No entanto, há verbos terminados em –iar que seguem o modelo conjugação dos terminados em –ear, como, por exemplo: odiar (odeio) e incendiar (incendeio).
C. Mas também há verbos irreverentes que fazem “jogo duplo”, complicando-nos a vida. É o caso do verbo negociar… Não fugindo ao que seria de esperar no Brasil (negoceio), em Portugal, admite os dois paradigmas referidos em A. (negoceio/negocio), possibilidade já registada por Rebelo Gonçalves, em 1966, no Vocabulário da Língua Portuguesa. Outros verbos (como premiar, sentenciar, presenciar e licenciar) seguem o mesmo padrão duplo...
 
 
Conclusões:
PORTUGAL
BRASIL
.negocio/negoceio
.negoceio
Notas:
1. Rodrigo de Sá Nogueira, remando contra a maré, defende que negociar só se conjuga de uma forma: negoceio, negoceias, negoceia.
2. Para Celso Cunha e Lindley Cintra, a coexistência dos dois modelos de conjugação no mesmo verbo é própria de Portugal, mas também a encontramos na língua popular do Brasil.

Abraço.
AP

Fontes utilizadas:
1. Celso CUNHA e Lindley CINTRA, Nova Gramática do Português Contemporâneo, Lisboa: Edições Sá da Costa, 1984.


março 20, 2013

.passerelle, passerele ou passarela?

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Apesar de alguns autores, como Rodrigo de Sá Nogueira, olharem com desconfiança estas entradas afrancesadas na língua portuguesa, a seleção de informação que vos trago ganha consistência nas entradas dos dicionários e nos vocabulários de Portugal e Brasil.
A. A forma passerele poderia parecer uma adaptação lógica, mas, não estando registada nos dicionários, não é uma escolha válida!
B. Quanto a passerelle, é um estrangeirismo registado nas fontes portuguesas, mas não nas brasileiras.
C. A adaptação passarela está em todas as fontes lusas e brasileiras.

Conclusões:

PORTUGAL
  BRASIL
.passerelle (entre aspas ou em itálico)
.passarela
.passarela
 
Embora na designação de “ponte, geralmente estreita, construída sobre avenidas e estradas para trânsito de pedestres” seja comum (em Portugal) usar as palavras “passadiço” ou “passadeira”, quando falamos de desfiles de moda, a escolha recai invariavelmente nos termos passerelle/passarela.

Abraço.
AP


março 19, 2013

."substituir" ou "substituir-se a"?

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Substituir significa “pôr pessoa ou coisa em lugar de; trocar”, sendo suficiente para todos os contextos. No entanto, encontramos com frequência títulos como este: "Estado está a substituir-se aos acionistas na recapitalização da banca”.
Embora para os autores mais clássicos seja de evitar (por ser uma construção “à francesa”), não será erro dizer substituir-se a.

Abraço
AP


março 17, 2013

.mandado ou mandato de captura?

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Ambas as expressões existem, mas são utilizadas em contextos bem distintos, dado que o seu significado é diferente.
 
A. Mandado: Este nome, particípio passado do verbo mandar, corresponde, na maior parte dos casos, a uma ordem ou determinação superior.
 Exemplo: Mandado de captura/prisão/busca emitido pelo tribunal.
 
B. Mandato: Do latim mandātu-, significa autorização, procuração e, acima de tudo, poder conferido a alguém para, em seu nome, praticar certos atos.
Exemplo: Os deputados têm um mandato que lhes foi conferido pelos eleitores.
 
 
RESPOSTA AO DESAFIO DE HOJE:
 Embora seja comum lermos/ouvirmos “mandato de captura”, a forma correta é “mandado de captura”.
 
Bom serão!
AP

março 16, 2013

.graffiti, grafite ou grafito?

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Dadas as ramificações que advêm do dilema de hoje, vamos ao que regista cada uma das fontes consultadas.

PORTUGAL:
1. Dicionário Verbo: graffiti e grafito.
2. Grande Dicionário da Porto Editora: grafiti e grafito.
3. Dicionário da Academia das Ciências: grafito.
4. Priberam (dicionário online): graffiti, grafíti e grafito.
5. Portal da Língua Portuguesa: graffiti, grafiti, grafito.
6. Ciberdúvidas: graffiti e grafito.
BRASIL:
1. Dicionário Aulete (online): grafito e grafite.
2. Dicionário Aurélio (online): grafito e grafite.
3. Academia Brasileira de Letras: grafito e grafite. Em relação a grafite, como não há definição, não tenho a certeza de se tratar de um equivalente do italiano graffito.
Esclarecidos? Eu também não!
Com algum esforço, deixo-vos uma sugestão de interpretação nesta floresta de perspetivas (obviamente discutível…).


PORTUGAL:
1.
a) Podemos usar o estrangeirismo graffiti (em itálico ou entre aspas) ou as variantes adaptadas ao português grafiti e grafito (termo pouco utilizado mas existente nos dicionários portugueses desde o século XIX);
b) Do lado de cá do Atlântico, o recurso a grafite não é admissível, uma vez que a palavra designa apenas o mineral em geral ou usado no fabrico de lápis;
2. Quanto ao singular/plural, outro bico de obra!
a) Para o Portal, enquanto graffiti é simultaneamente singular e plural, grafitografitos;
b) O blogue http://linguamodadoisec.blogspot.pt (que já aqui referi) considera
que, embora “incorreto” numa perspetiva mais purista, o recurso, mais ou menos comum, ao plural graffitis não trará grande mal ao mundo da língua portuguesa. Estou de acordo com esta opinião;
c) Enquanto a Priberam considera que a versão grati é uma palavra grave (paroxítona) e a acentua e o Portal a apresenta como aguda (oxítona), a Porto Editora apresenta as duas grafias: grati e grafiti.
d) Em italiano, graffiti é o plural de graffito.


BRASIL:
1. O panorama é bem mais claro e organizado, dada a coincidência das fontes: o uso do estrangeirismo não está previsto, restando ao utente da língua o recurso a grafito(s) ou grafite(s).
2. No Brasil, grafite também designa o mineral (tal como grafita, que não usamos no português europeu).


NOTA FINAL:
O grafito define, como sabemos, um “Desenho, inscrição, assinatura ou afim, feito com tinta, geralmente de spray, feito em muros, paredes e outras superfícies urbanas.”, mas também designa “Inscrição ou desenho feito em paredes e monumentos antigos; gravação existente num moral antigo, feita com a ponta de um estilete. São famosos os grafitos de Pompeia e Herculano.” (Dicionário da Academia das Ciências)


Uf! Tá concluído este post!
Bom fim de semana.
AP

março 15, 2013

.impacto ou impacte?

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Embora haja quem as distinga, considerando que o impacto é o choque propriamente dito, enquanto o impacte seria a consequência desse choque, as duas palavras (vindas ambas do latim impactu) têm o mesmo significado: choque, embate (tanto físico como psicológico). No entanto, pertencem, na perspetiva mais clássica, a diferentes classes de palavras: nome (impacte) e adjetivo (impacto, particípio passado do verbo impactar). É a fixação estabelecida por Rebelo Gonçalves, no Vocabulário da Língua Portuguesa, em 1966. No entanto, o uso tem consagrado impacto também como nome.
Conclusão: pode usar ambas as formas. Exemplo: impacte/impacto ambiental.
 
Com votos de bom fim de semana,
ProfAP

março 13, 2013

.Põe-se acento em “mês”, mas não em “meses”… Porquê?


Eis as regras estabelecidas no Formulário Ortográfico de 1943 (Brasil) e no Acordo Ortográfico de 1945 (Portugal) sobre a acentuação das palavras oxítonas (agudas) e paroxítonas (graves) que se mantêm em vigor:

1. Há acento agudo nas palavras oxítonas (agudas) terminadas em a, e e o abertos e acento circunflexo nas que acabam em e e o fechados (seguidos ou não de s).
Sendo mês um vocábulo oxítono terminado em e fechado (seguido de s), terá de receber um acento circunflexo.

2. São acentuadas as palavras paroxítonas (graves) que correspondem aos seguintes critérios:
a) Terminadas em i ou u abertos (seguidos ou não de s). Ex.: íris, júri, bónus (bônus no Brasil);
b) Terminadas em um e uns (álbum, álbuns);
c) Com i ou u tónicos/tónicos que não formam ditongo com a vogal anterior (egoísta, países, saúde, viúvo);
d) Acabadas em l, n, r e x (afável, hífen, açúcar, córtex);
e) Terminadas em ditongo oral (faríeis, jóquei, quisésseis).
A palavra meses é paroxítona, mas não corresponde a nenhum dos critérios acima enunciados. Logo, não há acento.

Abraço.
AP
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março 10, 2013

.os media, os média ou os mídia?

A.   Sempre escrevi e ensinei os media, pronunciado com o “e” aberto, como se lá houvesse um acento agudo.
B.   Vários dicionários registam as formas média e media.
C. Os nossos irmãos brasileiros, com sentido prático, criaram os mídia. Nos dicionários de português do Brasil, também encontrei media, sempre sem acento, mas tenho a perceção de que o termo que costumam utilizar é mesmo mídia.

D.   CONCLUSÕES:
1. Não há fundamento para o uso, em Portugal, de mídia, uma vez que é uma palavra confinada ao Brasil.
2. Considerando a diversidade de perspetivas das fontes, parece-me que tanto média como media são opções corretas. Continuo a preferir media, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, que não regista média, ou o Ciberdúvidas. Transcrevo, com a devida vénia, um extrato de uma resposta dada a um consulente:
Mesmo quem diga media, acentuando o e e com valor de plural, não pode usar o acento gráfico, porque está a usar um plural neutro latino, media, cujo singular é medĭu-, «meio». A pronúncia “mídia” é a imitação da que lhe dão os ingleses. F. V. P. da Fonseca:: 15/06/2007


Revisão da matéria:
Portugal: media e o não consensual média
Brasil: mídia
Bom resto de domingo!
ProfAP
P.s.: Para informações com mais detalhes sobre este assunto, clique AQUI.

Imagem encontrada AQUI.