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março 24, 2013

.Cupido ou cúpido?

Imagem encontrada AQUI.
 
Ambas as grafias são possíveis, mas com sentidos bem distintos.
A. cúpido – palavra proparoxítona, adjetivo (do latim cupĭdu-, «desejoso»)
Ávido, extremamente ambicioso.
B. cupido - palavra paroxítona, nome (do latim cupīdo, «Cupido, filho de Vénus; deus do amor»)
Deus do amor, personificação do amor.

 
Abraço.
AP


março 23, 2013

.Verbo negociar: negocio ou negoceio?


A. Temos dois tipos de verbos com conjugações distintas:
. em ear (com o presente terminado em eio, -eias, -eia: presenteio, presenteias, presenteia);
. em iar (com o presente a acabar em –io, -ias, -ia: avalio, avalias, avalia).
B. No entanto, há verbos terminados em –iar que seguem o modelo conjugação dos terminados em –ear, como, por exemplo: odiar (odeio) e incendiar (incendeio).
C. Mas também há verbos irreverentes que fazem “jogo duplo”, complicando-nos a vida. É o caso do verbo negociar… Não fugindo ao que seria de esperar no Brasil (negoceio), em Portugal, admite os dois paradigmas referidos em A. (negoceio/negocio), possibilidade já registada por Rebelo Gonçalves, em 1966, no Vocabulário da Língua Portuguesa. Outros verbos (como premiar, sentenciar, presenciar e licenciar) seguem o mesmo padrão duplo...

Conclusões:
PORTUGAL
BRASIL
.negocio/negoceio
.negoceio

Notas:
1. Rodrigo de Sá Nogueira, remando contra a maré, defende que negociar só se conjuga de uma forma: negoceio, negoceias, negoceia.
2. Para Celso Cunha e Lindley Cintra, a coexistência dos dois modelos de conjugação no mesmo verbo é própria de Portugal, mas também a encontramos na língua popular do Brasil.

Abraço.
AP

Fontes utilizadas:
1. Celso CUNHA e Lindley CINTRA, Nova Gramática do Português Contemporâneo, Lisboa: Edições Sá da Costa, 1984.


março 19, 2013

."substituir" ou "substituir-se a"?

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Substituir significa “pôr pessoa ou coisa em lugar de; trocar”, sendo suficiente para todos os contextos. No entanto, encontramos com frequência títulos como este: "Estado está a substituir-se aos acionistas na recapitalização da banca”.
Embora para os autores mais clássicos seja de evitar (por ser uma construção “à francesa”), não será erro dizer substituir-se a.

Abraço
AP


março 17, 2013

.mandado ou mandato de captura?

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Ambas as expressões existem, mas são utilizadas em contextos bem distintos, dado que o seu significado é diferente.
 
A. Mandado: Este nome, particípio passado do verbo mandar, corresponde, na maior parte dos casos, a uma ordem ou determinação superior.
 Exemplo: Mandado de captura/prisão/busca emitido pelo tribunal.
 
B. Mandato: Do latim mandātu-, significa autorização, procuração e, acima de tudo, poder conferido a alguém para, em seu nome, praticar certos atos.
Exemplo: Os deputados têm um mandato que lhes foi conferido pelos eleitores.
 
 
RESPOSTA AO DESAFIO DE HOJE:
 Embora seja comum lermos/ouvirmos “mandato de captura”, a forma correta é “mandado de captura”.
 
Bom serão!
AP

março 16, 2013

.graffiti, grafite ou grafito?

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Dadas as ramificações que advêm do dilema de hoje, vamos ao que regista cada uma das fontes consultadas.

PORTUGAL:
1. Dicionário Verbo: graffiti e grafito.
2. Grande Dicionário da Porto Editora: grafiti e grafito.
3. Dicionário da Academia das Ciências: grafito.
4. Priberam (dicionário online): graffiti, grafíti e grafito.
5. Portal da Língua Portuguesa: graffiti, grafiti, grafito.
6. Ciberdúvidas: graffiti e grafito.
BRASIL:
1. Dicionário Aulete (online): grafito e grafite.
2. Dicionário Aurélio (online): grafito e grafite.
3. Academia Brasileira de Letras: grafito e grafite. Em relação a grafite, como não há definição, não tenho a certeza de se tratar de um equivalente do italiano graffito.
Esclarecidos? Eu também não!
Com algum esforço, deixo-vos uma sugestão de interpretação nesta floresta de perspetivas (obviamente discutível…).


PORTUGAL:
1.
a) Podemos usar o estrangeirismo graffiti (em itálico ou entre aspas) ou as variantes adaptadas ao português grafiti e grafito (termo pouco utilizado mas existente nos dicionários portugueses desde o século XIX);
b) Do lado de cá do Atlântico, o recurso a grafite não é admissível, uma vez que a palavra designa apenas o mineral em geral ou usado no fabrico de lápis;
2. Quanto ao singular/plural, outro bico de obra!
a) Para o Portal, enquanto graffiti é simultaneamente singular e plural, grafitografitos;
b) O blogue http://linguamodadoisec.blogspot.pt (que já aqui referi) considera
que, embora “incorreto” numa perspetiva mais purista, o recurso, mais ou menos comum, ao plural graffitis não trará grande mal ao mundo da língua portuguesa. Estou de acordo com esta opinião;
c) Enquanto a Priberam considera que a versão grati é uma palavra grave (paroxítona) e a acentua e o Portal a apresenta como aguda (oxítona), a Porto Editora apresenta as duas grafias: grati e grafiti.
d) Em italiano, graffiti é o plural de graffito.


BRASIL:
1. O panorama é bem mais claro e organizado, dada a coincidência das fontes: o uso do estrangeirismo não está previsto, restando ao utente da língua o recurso a grafito(s) ou grafite(s).
2. No Brasil, grafite também designa o mineral (tal como grafita, que não usamos no português europeu).


NOTA FINAL:
O grafito define, como sabemos, um “Desenho, inscrição, assinatura ou afim, feito com tinta, geralmente de spray, feito em muros, paredes e outras superfícies urbanas.”, mas também designa “Inscrição ou desenho feito em paredes e monumentos antigos; gravação existente num moral antigo, feita com a ponta de um estilete. São famosos os grafitos de Pompeia e Herculano.” (Dicionário da Academia das Ciências)


Uf! Tá concluído este post!
Bom fim de semana.
AP

março 15, 2013

.impacto ou impacte?


Embora haja quem as distinga, considerando que o impacto é o choque propriamente dito, enquanto o impacte seria a consequência desse choque, as duas palavras (vindas ambas do latim impactu) têm o mesmo significado: choque, embate (tanto físico como psicológico). No entanto, pertencem, na perspetiva mais clássica, a diferentes classes de palavras: nome (impacte) e adjetivo (impacto, particípio passado do verbo impactar). É a fixação estabelecida por Rebelo Gonçalves, no Vocabulário da Língua Portuguesa, em 1966. No entanto, o uso tem consagrado impacto também como nome.
Conclusão: pode usar ambas as formas. Exemplo: impacte/impacto ambiental.
Com votos de bom fim de semana,
ProfAP

março 10, 2013

.os media, os média ou os mídia?

A.   Sempre escrevi e ensinei os media, pronunciado com o “e” aberto, como se lá houvesse um acento agudo.
B.   Vários dicionários registam as formas média e media.
C. Os nossos irmãos brasileiros, com sentido prático, criaram os mídia. Nos dicionários de português do Brasil, também encontrei media, sempre sem acento, mas tenho a perceção de que o termo que costumam utilizar é mesmo mídia.

D.   CONCLUSÕES:
1. Não há fundamento para o uso, em Portugal, de mídia, uma vez que é uma palavra confinada ao Brasil.
2. Considerando a diversidade de perspetivas das fontes, parece-me que tanto média como media são opções corretas. Continuo a preferir media, como o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, que não regista média, ou o Ciberdúvidas. Transcrevo, com a devida vénia, um extrato de uma resposta dada a um consulente:
Mesmo quem diga media, acentuando o e e com valor de plural, não pode usar o acento gráfico, porque está a usar um plural neutro latino, media, cujo singular é medĭu-, «meio». A pronúncia “mídia” é a imitação da que lhe dão os ingleses. F. V. P. da Fonseca:: 15/06/2007


Revisão da matéria:
Portugal: media e o não consensual média
Brasil: mídia
Bom resto de domingo!
ProfAP
P.s.: Para informações com mais detalhes sobre este assunto, clique AQUI.

março 09, 2013

.temporàriamente, temporáriamente ou temporariamente?

 
Hoje, vi esta informação numa loja em Setúbal. Acento fora de jogo?
 
Em 1973, em fevereiro, era aluno no Liceu de Setúbal. Até esse ano e mês, escrevia-se temporàriamente, sòzinho, cafèzinho, sòmente, pèzito e no romance Os Maias, de Eça de Queirós, lá estava a personagem, sempre “nas saias da titi”, com a sua “facezinha trombuda”: o menino Eusèbiozinho.
No dia 6 de fevereiro desse ano, tudo mudou, incluindo o menino “molengão e tristonho”. Aliviado do peso do acento, passou a ser o Eusebiozinho. O acento caiu de todos advérbios terminados em –mente e das palavras terminadas em –inho e –ito. Fez-se em Portugal o que o Brasil já havia feito em dois anos antes, em 1971.

Respondendo à questão de hoje, devemos escrever temporariamente.

 
Abraço.
AP


março 08, 2013

.Quais as palavras mais estranhas da língua portuguesa na letra Z?

Um caso claro de um jovem zãibo... Imagem encontrada AQUI.

O difícil mesmo é escolher. Logo, a escolha e a hierarquização são subjetivas. Aqui fica o meu “Top 10”:
Palavra
Significado
10- zoina
Atordoado, mas também prostituta (regionalismo)
9- zurca
Bebedeira
8- zote
Idiota, pateta
7- zina
Auge, mas também mamilo
6- zetética
Pesquisa
5- zagorro
Velhaco, mas também sonso
4- zãibo
Que tem os olhos tortos
3- zornão
Burro que zurra muito quando vê as burras, mas também aplicável aos homens femeeiros (mulherengos)
2- zabumba
Tambor grande (ou quem o toca), mas também chapéu alto
1- zaburro
Planta espontânea do sul de Portugal

A minha preferida? Talvez zornão, mas zãibo também me encanta…

Abraço.
AP

março 04, 2013

.Qual a origem da palavra SALÁRIO?


A história desta palavra (vinda do latim salariu) é muito interessante. O sentido "soldo para comprar sal" advém do facto de, no Império Romano, os soldados serem pagos com... sal!
Modernamente considerado um produto comum e de baixo preço, nem sempre foi assim.
Na Antiguidade, era usado em cerimónias religiosas e oferecido aos deuses. Indispensável no processo de embalsamamento dos corpos, no Egito, foi, em várias culturas, usado como elemento purificador.
Na atualidade, apesar de banal nas sociedades ditas desenvolvidas, o sal continua a ter um valor efetivo fora da cozinha. Alguns exemplos: espanta os maus espíritos (Marrocos); simboliza a amizade a hospitalidade (gregos, hebreus e árabes); sela contratos (Médio Oriente); protege as crianças (países nórdicos); purifica (Japão).
São múltiplas as mezinhas e crenças populares com base no sal. Escolhi uma que me parece particularmente interessante.
                                                                O Poder Afrodisíaco do Sal
Poder afrodisíaco do sal? Certos povos antigos atribuíram ao sal poderes afrodisíacos e acreditavam que sua carência reduzia a potência sexual dos homens.
Uma gravura satírica francesa do séc. XVI mostra diversas mulheres debruçadas sobre maridos sem calças e aprisionados em barris, que elas esfregam vigorosamente com sal nas suas partes íntimas.

Aconselho moderação, pois não encontrei provas de que o procedimento resulte…

Abraço bem temperado!
AP
Fonte consultada: AQUI.