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maio 31, 2013

.Qual a origem da palavra BIGODE?

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A generalidade das fontes limita-se a dizer que o termo é de origem obscura e não apresenta qualquer hipótese de explicação.
No entanto, o dicionário brasileiro Houaiss  arrisca um pouco mais: “origem controversa, parece ter que ver com a locução exclamativa germânica bî God "por Deus", usada em juramentos».
Tanto o Ciberdúvidas como o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, apresentam a mesma possibilidade, levantando-se, nesta última obra, a hipótese de a palavra “bigorrilhas” (que designa pessoa incómoda ou sem importância) poder estar relacionada com bigode, transcrevendo-se um extrato de A Sereia, de Camilo Castelo Branco: “E pede-me licença o bigorrilhas.”
Face ao exposto, parece ter algum sentido o que li no Yahoo! Respostas: “O bigode era o símbolo da honra, por isso, ao fazerem um juramento, os homens pegavam nas pontas dos bigodes e falavam "Beit Got!" (Por Deus!).
 
 
Conclusão:
Não havendo certezas, parece provável que bigode tenha tido origem na exclamação germânica bî God (por Deus), usada em juramentos.

Abraço!
AP


maio 26, 2013

.Qual a origem da palavra SAMBA?

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Embora samba e Brasil sejam hoje duas faces da mesma moeda, esta dança cantada é, segundo a generalidade das fontes, de origem africana: poderá tratar-se de uma corruptela do quimbundo semba («umbigada»). O quimbundo é um dos idiomas bantos de Angola.
Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, embora comece por dizer que poderá tratar-se de um termo africano, também levanta a hipótese de samba ter a sua origem estar no tupi çama.
Segunda outra fonte (AQUI), há ainda a possibilidade de a origem estar na língua falada pelos povos do grupo étnico Ovimbundos, nomeadamente nas zonas centrais de Angola, o umbundo (outro idioma banto), onde a palavra samba significa estar animado ou excitado.
 
 
Conclusão:
Segundo a esmagadora maioria das fontes, samba vem do quimbundo semba.
Abraço.
AP


maio 25, 2013

.autópsia ou autopsia?

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A consulta dos dicionários online de Brasil e Portugal deixa a impressão de que autópsia é a única grafia válida. Como vamos ver, a impressão é passageira…
O Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, apresenta autópsia… mas também autopsia!
O último capítulo da minha deambulação linguística levou-me aos vocabulários oficiais de Portugal e Brasil: o da Academia Brasileira de Letras e o do Portal da Língua Portuguesa. Coincidem na aceitação das duas grafias autópsia e autopsia.
Notas:
1.   No Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, José Pedro Machado diz que autópsia veio do francês autopsie (pelo grego autopsía).
2.   Penso que até ao Formulário Ortográfico de 1911 (adotado apenas em Portugal) existia apenas a grafia autopsia. A regra que determinou a colocação de acento em todas as palavras proparoxítonas (esdrúxulas) entrou em vigor nessa data.
Conclusão:
PORTUGAL E BRASIL
Embora a forma acentuada seja a mais comum, podemos considerar igualmente válidas as grafias autópsia e autopsia (nomes/substantivos).

Abraço.
AP
 


maio 24, 2013

.O que é uma ALITERAÇÃO?

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Inicio hoje, aqui no nosso cibercantinho, um conjunto de apontamentos que irão pôr em destaque recursos de linguagem que encontramos na literatura, mas que podem enriquecer a nossa escrita, tornando-a mais rica e expressiva.
O nosso ponto de partida é a aliteração. A definição mais comum desta figura de estilo é dizer que é a “repetição de sons consonânticos”.
Para que serve essa repetição? Pretende criar um efeito com o som repetido, sendo uma espécie de banda sonora do texto.
Aprendi em miúdo uma lengalenga que começava assim:
“O rato roeu a rolha da garrafa do rei da Rússia.
Rara astúcia foi a sua: roeu metade da rolha e depois fugiu para a rua!”
A repetição do r cria o efeito do rato a roer…
 
 
Este é um recurso mais próprio da poesia do que da prosa. Passo a transcrever um dos meus sonetos preferidos de Luís de Camões. Com ele, vem um bónus: uma das aliterações mais conseguidas da língua portuguesa!
O céu, a terra, o vento sossegado...
As ondas, que se estendem pela areia...
Os peixes, que no mar o sono enfreia...
O noturno silêncio repousado...
 
O pescador Aónio, que, deitado
Onde co vento a água se meneia,
Chorando, o nome amado em vão nomeia,
Que não pode ser mais que nomeado:
 
— Ondas – dezia – antes que Amor me mate,
Tornai-me a minha Ninfa, que tão cedo
Me fizestes à morte estar sujeita.
 
Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.                                 Luís de Camões
Com esta aliteração (repetição do som v), o poeta recria o som do vento (vvvv…) que se sobrepõe ao discurso desesperado do pescador Aónio, que tenta, em vão, reaver a amada levada pelo mar. Arrepiante e comovente.

Abraço e aproveitem bem todos os momentos felizes que a vida vos for concedendo…
AP


maio 23, 2013

.SOS Língua Portuguesa: Kit de Sobrevivência!

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Para a mensagem de hoje, vou dar corpo ao desafio feito por um amigo: “Ó António, não podes fazer um guia que me ajude a ultrapassar rapidamente as dúvidas e dificuldades quando tenho de escrever?”
Este é um daqueles pedidos a que dificilmente conseguirei responder de forma satisfatória. Ainda assim, passo a apresentar algumas ideias que poderão alimentar a autonomia do escritor que há em cada um de nós.

Ter um corretor atualizado instalado no computador. Corrige automaticamente alguns erros de ortografia e assinala outros (também nas concordâncias), dando-nos a oportunidade de introduzir as correções necessárias.
Ter nos favoritos os endereços de instrumentos de consulta disponíveis online. Rápidos e eficazes, muitos destes recursos são gratuitos.
a)    Os dicionários de língua portuguesa mostram a ortografia das palavras e permitem conhecer os diferentes sentidos que elas podem ter;
b)   Com os dicionários de verbos, pode verificar se está a usar adequadamente os diferentes tempos e modos: presente, futuro, pretérito, imperativo, etc.;
c)    Os vocabulários não têm definições, mas são úteis por nos darem as grafias validadas para cada um dos países (ficamos a saber, por exemplo, que “coerdeiro” é a nova grafia para o Brasil, mas não para Portugal, onde se mantém “co-herdeiro”) e apresentarem as flexões em género e em número.

A.   A minha seleção de recursos gratuitos (links diretos)
PORTUGAL
BRASIL
Dicionários de língua:
1. Infopédia:
2. Priberam:
1. Aulete:
2. Houaiss:
Dicionários de verbos:
Infopédia:
Só Português:
Conversores para o Novo Acordo Ortográfico:
Portal da Língua Portuguesa:
Portal do Governo Brasileiro:
Vocabulários:
Portal da Língua Portuguesa:
Academia Brasileira de Letras:

B.   Esclarecimento de dúvidas
Há quem diga que, com Gutenberg (que, no século XV, revolucionou o mundo da imprensa com o seu tipo móvel), a internet foi a invenção que mais democratizou o acesso à informação.
Esta espécie de “enciclopédia do povo” pode ajudar a esclarecer dúvidas, embora requeira precauções, como veremos mais adiante.

1.   Alguns endereços interessantes:
·          http://ciberduvidas.pt
Põe ao dispor do cibernauta um vasto e útil conjunto de perguntas e respostas. Também pode (esteja em Portugal ou no Brasil) apresentar as suas dúvidas num formulário disponibilizado para o efeito.
·         É possível também apresentar dúvidas ao Portal da Língua Portuguesa e à Academia Brasileira de Letras.
Para os falantes brasileiros, o professor Cláudio Moreno apresenta assuntos interessantes relacionados com dúvidas gerais que surgem no uso da língua.

2.   Pesquisa livre
Quando não tiver um endereço específico para explorar, faça a sua própria pesquisa. Entre no Google e lance a sua dúvida de uma forma sucinta, objetiva e clara. Uma boa estratégia é fazer uma pergunta. Por exemplo: “Catorze ou Quatorze?” (O uso de aspas concentra o motor de busca naquilo que quer saber)
Obterá milhares de resultados, pelo que terá de ter cuidado na escolha.
Sítios e blogues disponibilizados por instituições oficiais (ministério da educação, universidades, institutos, etc.) dão mais garantias. No caso de fontes de autores individuais mais ou menos desconhecidos, verifique se há fundamentação com fontes de referência ou se a formação dos autores inspira um mínimo de confiança (professores, linguistas, filólogos…).

 
Boa escrita pra todos!

Abraços.
António Pereira

 


maio 22, 2013

.Porque usamos “c” em secundário e “g” em segundo?

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Tudo tem a ver a natureza do roteiro que cada uma destas palavras fez desde o latim até aos nossos dias.
Embora na origem ambas as palavras tivessem “c” (secundarĭu- e secundu-), segundo evoluiu por via popular (como aconteceu com pêssego, vindo de persĭcu-), passando o “c” a “g”. Com secundário foi diferente, pois o termo seguiu a via erudita, não sofrendo grandes alterações em relação ao latim.
 
 
Fontes:
Ciberdúvidas
Infopédia
 
Abraço.
AP


maio 21, 2013

.Qual a diferença entre PRÓ e PRÒ?

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Este é um daqueles casos em que o acento altera tudo. A principal diferença é que pró, embora podendo estar englobada em diferentes classes, é apenas uma palavra, enquanto prò (como prà, prós e pràs) resulta sempre da contração de duas palavras (ver a explicação em B.). Trocando por miúdos:

A. PRÓ
Vindo do latim pro (“a favor de”), pró pode ser:
a)    Uma preposição (significando “a favor de”, “em defesa de”). Exemplo: “As forças pró libertação.
b)   Elemento de formação de uma palavra (prefixo). Exemplo: “Movimento pró-americano.
c)    Um nome (substantivo no Brasil) com o sentido de “vantagem”, “conveniência”. Exemplos: “Medir os prós e os contra.”; “Ele não conseguir citar nem um pró!
d)   Advérbio. Exemplo: “O deputado falou contra a legalização do aborto; alguém vai falar pró?

B. PRÒ
O acento grave na língua portuguesa é sempre a ponta do icebergue de uma contração. Prò não é exceção e resulta da contração da preposição para como o determinante artigo definido o. Recapitulando: prò = para + o. Exemplo: “Guardamos o almoço prò próximo domingo!”

Nota: Surpreendentemente, o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa, num óbvio lapso, regista a contração também com acento agudo:
advérbio
contração
nome masculino
preposição

 

 

 É caso para dizer que no melhor pano cai a nódoa…

Fontes:
.Os dicionários Aulete, Houaiss, Infopédia e Priberam
.Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (Academia das Ciências de Lisboa)
.Vocabulário Ortográfico do Português (Portal da Língua Portuguesa)

São horas do almoço e a minha mulher já gritou da cozinha: "Prà mesa, António!" E quando ela fala com ponto de exclamação no final da frase, só há um caminho: o de ida!
Abraço.
AP

maio 20, 2013

.Pode a palavra MUNDO ser adjetivo?

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PODE, SIM!
Dizer que há o MUNDO conhecido e o MUNDO desconhecido é, sem dúvida, um lugar-comum, mas aplica-se com rigor ao tema de hoje. Todos conhecemos o nome MUNDO, mas muitos nunca se deram conta de que também existe o adjetivo MUNDO. Iniciemos a nossa visita guiada ao interior destas duas palavras.

A. MUNDO - nome (substantivo no Brasil)
Vinda do latim mundu, a palavra pode assumir uma diversidade de sentidos, sendo os mais comuns “a terra e os seus habitantes” e “universo”.

B. MUNDO - adjetivo
Vindo também de mundu, o termo é o antónimo de IMUNDO, significando “limpo”, “puro”, “livre de qualquer sujeira” (Brasil).
Exemplos:
1.   Sempre refinado, o conselheiro só tratava de assuntos mundos.” (Dicionário Houaiss).
2.   Debaixo deste círculo, onde as mundas / Almas divinas gozam” (“Os Lusíadas”, canto X, estrofe 85).


Notas:
. Na mesma linha de sentido, temos no português várias palavras caídas em desuso como mundificar (purificar), mundificação (purificação) e mundícia/mundície (limpeza, asseio).
. Não podemos deixar de referir uma palavra de uso corrente em Portugal, vinda de mundare: mondar. Significa “limpar de ervas daninhas”, podendo assumir também o sentido figurado de “emendar/corrigir um texto” ou “expurgar de tudo o que é supérfluo ou prejudicial”.


Fontes consultadas:
.Dicionários: Infopédia, Priberam e Houaiss.
.Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado.
.Ciberdúvidas.


Que o mundo da vossa existência seja mundo como as almas que entram diretamente no paraíso!

Abraço.
AP

maio 19, 2013

.Sim ou não à dEscriminação da dIscriminação?

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Há diferenças profundas entre as duas palavras propostas hoje. Sem perder tempo, e recorrendo à Infopédia, passo a dIscriminá-las.

A. A discrimação (do latim discriminatiōne-) corresponde ao/à:
a) “ato ou efeito de discriminar; separação, destrinça
b) “capacidade de estabelecer diferenças claramente; discernimento, distinção”;
c) “ação de tratar pessoas ou grupos de pessoas de forma injusta ou desigual, com base em argumentos de sexo, raça, religião, etc.; segregação”.

B. A descriminação (des+criminação) é sinónimo de descriminalização e significa:
a)    ato ou efeito de absolver de crime, de inocentar”;
b)   ato jurídico através do qual um crime deixa de ser considerado como tal descriminação”.


Nota: Sendo a grafia com “e” menos conhecida e o “i” pronunciado, no português europeu, como “e”, é comum vermos “descriminação” em vez de “discriminação”.
Eis um exemplo de uma notícia publicada ontem:
A Down España explica que a denúncia surge não como uma forma de “vitimização”, mas antes como uma medida de "pedagogia pública" que alerte para este tipo de descriminação, proibida pela Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Incapacidades “ratificada por Espanha".
                                                                           (Notícia completa AQUI).
Comentário: Correspondendo ao sentido indicado alínea c) do ponto A., a grafia correta seria “discriminação”…

Diga sempre NÃO à dEscriminação da dIscriminação!

Abraço.
AP