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julho 18, 2013

.dignitário ou dignatário?

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PORTUGAL
A versão dignatário, usada por um número significativo de falantes (e também por alguns meios de comunicação), resulta da contaminação com dignar e digno/a.
Para nos referirmos à “pessoa que exerce um alto cargo, que tem um título honorífico ou foi investida de uma dignidade” (In Infopédia), só há uma opção: dignitário.

BRASIL
Os dicionários que consultei (Aulete e Houaiss) e o VOLP da Academia Brasileira de Letras apresentam verbetes para ambas as palavras. No Hoauiss pode ler-se que dignatário é o mesmo que dignitário.

CONCLUSÕES:
PORTUGAL
BRASIL
dignitário
dignitário ou dignatário

NOTAS:
1.   A palavra dignitário resulta da adaptação do francês dignitaire e entrou na língua portuguesa no século XIX.
2.   Enquanto o italiano (dignitário) segue a linha do português europeu, o castelhano diverge: dignatario.

Abraço.
António Pereira

julho 17, 2013

.secção ou seção?

Em Portugal, é assim!
 

Segundo a Base IV do Novo Acordo Ortográfico, “Conservam-se ou eliminam-se facultativamente, quando se proferem numa pronúncia culta, quer geral, quer restritamente, ou então quando oscilam entre a prolação e o emudecimento”.
Em secção, o c é inequivocamente pronunciado em Portugal. Consultando os dicionários portugueses e o Vocabulário do Portal da Língua Portuguesa, lá está, preto no branco: secçãoàPortugal e seçãoàBrasil. Na grafia desta palavra não houve nenhuma alteração, mantendo-se o que estava em vigor desde 1943 (Brasil) e 1945 (Portugal).
A mesma situação se passa, por exemplo, com as palavras aspeto e aspecto; dicção e dição; facto e fato; corrupto e corruto, em que há dupla grafia para o Brasil, mas apenas uma para Portugal (assinalada a azul).

CONCLUSÕES:
Portugal 
secção
Brasil 
seção e secção
Nota: Embora seção pareça ser mais comum, segundo os dicionários e o Vocabulário da Academia Brasileira de Letras, é igualmente correta a escolha de secção.

Abraço.
AP

julho 14, 2013

.Qual a origem da palavra PEPINO?

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Embora vários dicionários optem pela ideia de que o nosso pepino será a adoção, em 1400, do vocábulo castelhano pepino, em 1400, José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, vai noutra direção:
A cronologia parece opor-se à teoria que tira este vocábulo do castelhano pepino (cerca de 1400). Talvez se trate de formação portuguesa, semelhante à do citado vocábulo castelhano, isto é, de um antigo pepón “melão” (…). Pepón provém do latim pepone- “melão”, este, por sua vez, do grego pepon.

Notas complementares:
1. O concombre francês também vem do latim, mas de uma palavra diferente: cucumis. Do mesmo étimo vem o desconhecido termo português cogombro (sinónimo de pepino), o espanhol cohombro e o italiano cocomero.
2. Os ingleses foram buscar o seu cucumber ao francês, no século XIV.

Um abraço cheio da vitamina C do pepino!
António Pereira


julho 13, 2013

.Qual a origem da palavra TOMATE?

Na minha horta, os tomates (lindos!) começam a amadurecer...
 
O termo vem do nauatle (o idioma dos astecas) tomatl (“a fruta que incha”). Em 1532 é adaptado para o castelhano (tomate), entrando posteriormente no português. Segundo o Houaiss, o termo remonta a 1721.
José Pedro Machado, no seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, volume V, apresenta um extrato da obra História da América Portuguesa I, século XVIII: “Das hortaliças da Europa há no Brasil alfaces… nabos… cenouras… tomates… e beldroegas…
 Nota: Na região centro de Portugal (Beiras), usa-se o regionalismo tomata (género feminino).
 
Sobre a interessante história sobre a história deste fruto:
O tomate é o fruto do tomateiro (Solanum lycopersicum; Solanaceae). De sua família, fazem também parte as berinjelas, as pimentas e os pimentões, além de algumas espécies não comestíveis.
Originário das Américas Central e do Sul, era amplamente cultivado e consumido pelos povos pré-colombianos, sendo atualmente cultivado e consumido em todo o mundo. (…)
A maioria dos botânicos atribui a origem do cultivo e do consumo (e mesmo a seleção genética) do tomate como alimento à civilização inca do antigo Peru, o que deduzem por ainda persistir, naquela região, uma grande variedade de tomates selvagens e algumas espécies domesticadas (de cor verde) conhecidas apenas ali.
Estes acreditam que o tomate da variedade Lycopersicum cerasiforme, que parece ser o ancestral da maioria das espécies comerciais atuais, tenha sido levado do Peru e introduzido pelos povos antigos na América Central, posto que foi encontrado amplamente cultivado no México.
Outros estudiosos acreditam que o tomate seja originário da região do atual México, não apenas pelo nome pertencer tipicamente à maioria das línguas locais (náuatles), mas porque as cerâmicas incas não registraram o uso do tomate nos utensílios domésticos, como era costume. Os primeiros contestam tal objeção, pelo fato de que muitas outras frutas e alimentos dos incas também não foram representados nas cerâmicas.
In http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomate (acedido em 13/07/2013)
 
Abraço e boas saladas!
António Pereira


julho 12, 2013

.espia ou espiã?

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A viagem que hoje faço ao interior da língua portuguesa nasce da pergunta que uma amiga me fez chegar.
O mais comum é ouvirmos dizer espião para o masculino e espia para o feminino, na linha do que fazemos com ladrão/ladra.
Em Portugal os dicionários e o VOP do Portal da Língua Portuguesa apresentam verbetes para espia e espiã. No Brasil, o VOLP da Academia Brasileira de Letras também regista as duas formas, mas os dicionários (Aulete, Michaelis, Houaiss…) ignoram o feminino espiã.
 
Conclusões para Portugal e Brasil:
Masculino
Feminino
um espião ou um espia (sinónimo de espião)
uma espia ou uma espiã
Nota: Tanto as fontes portuguesas como as brasileiras registam espia com os dois géneros, como acontece, por exemplo, com jovem e artista.
 
 
Abraço e bom fim de semana!
António


julho 01, 2013

.Existem pronúncias erradas?

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O título da mensagem de hoje é adotado de uma pergunta enviada ao Ciberdúvidas. Na resposta, com data de 18/06/2013, diz-se que existem erros de pronúncia, "mas a maneira como se concebe o erro de pronúncia tem variado ao longo dos tempos. É pronúncia errada dizer "poribido" em vez de "proibido" ou, por lapso, articular "faganhoto" e "ferpeito" em lugar de gafanhoto e perfeito, respetivamente. Contudo, não é considerado errado pronunciar o verbo levar como "lebar"; neste caso, trata-se de pronúncia regional própria de quem fala um dialeto setentrional do português europeu. Por outras palavras, aceitam-se as variantes regionais, desde que estas não afetem a inteligibilidade do discurso." 
 
Abraço.
AP