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dezembro 31, 2013

.Como dizer: “pólvos” ou “pôlvos”?

 

Considerando que o infeliz cefalópode irá animar o jantar de muita gente nesta noite de transição para 2014, justifica-se a questão de hoje.

Como dizer: “pólvos” ou “pôlvos”?
Resposta inequívoca: “pôlvos”!

Se me perguntarem porquê, não é simples responder e nenhuma resposta será satisfatória…
Para José Neves Henriques (Ciberdúvidas):
1.   Geralmente o plural é em /ô/, quando a palavra tem um feminino também pronunciado /ô/. Exemplos: tolo /ô/, tola /ô/ -> tolos /ô/; roto /ô/, rota /ô/ -> rotos /ô/. No entanto, bolso/ô/, dá bolsos/ô/ no norte e centro de Portugal e bolsos/ó/ no Sul…
2.   Quando os nomes são apenas dum género no singular, o plural é umas vezes em /ô/, outras em /ó/: gota e gotas /ô/, mas povo /ô/ e povos /ó/.
3.   Molho é um caso especial:
a) Molho /ô/, qualquer preparação culinária líquida ou cremosa que acompanha diversos alimentos para lhe avivar o sabor. É palavra derivada de molhar. Cautela: o plural é molhos /ô/.
b) Molho /ó/, pequeno feixe; braçado, paveia. É palavra derivada do latim manipulu(m), feixe, molho. Cautela: o plural é molhos /ó/.

Infelizmente, embora esteja previsto que o Portal da Língua Portuguesa venha a fazê-lo, ainda não há informação fonética disponível online. Embora não seja suficiente para esclarecer todas as dúvidas, partilho as listas que Celso Cunha e Lindley Cinta apresentam na Nova Gramática do Português Contemporâneo (1995, pág. 184):
A.    Alguns nomes pronunciados com o fechado /ô/ no plural:
B.     Alguns nomes pronunciados com o aberto /ó/ no plural:
Acordo, adorno, bojo, bolo, cachorro, coco, colmo, consolo, dorso, encosto, engodo, estojo, ferrolho, globo, golfo, gosto, lobo, logro, moço, molho, morro, mosto, namoro, piloto, piolho, poldro, polvo, potro, reboco, repolho, restolho, rolo, rosto, sopro, suborno, topo.
Abrolho, caroço, contorno, corcovo, coro, corno, corpo, corvo, despojo, destroço, escolho, esforço, estorvo, fogo, forno, foro, fosso, imposto, jogo, miolo, olho, osso, ovo, poço, porco, porto, posto, povo, reforço, renovo, rogo, sobrolho, socorro, tijolo, toco, tojo, tordo, torno, troco, troço.

É o que se pode arranjar, amigo internauta!
Com sorte, pode ser que a sua dúvida coincida com uma das palavras das listas. Se não coincidir, partilhe a dúvida na caixa de comentários e talvez eu possa ajudar.

Abraço.
AP

dezembro 26, 2013

.pastel ou pastél?

Pois é, a TVI meteu água hoje no Jornal da Noite e adulterou um dos ex-libris de Torres Vedras...
 
 
O AO90 não introduziu alterações na acentuação das palavras oxítonas. Por isso,
Escrevíamos e vamos continuar a escrever pastel!
No entanto, pastéis leva acento, como acontece com todas as palavras oxítonas terminadas no ditongo aberto –éi, seguido ou não de s.
 
 
Lista exaustiva das palavras oxítonas (agudas) que devemos acentuar:
Com acento agudo:
1. As terminadas nas vogais tónicas abertas -a, -e ou -o, seguidas ou não de -s: está, já; até, é, pontapé(s); avó(s), dominó(s), paletó(s), só(s).
2. As formas verbais que, conjugadas com os pronomes clíticos lo(s) ou la(s), ficam a terminar na vogal tónica aberta -a: adorá-lo(s), dá-la(s), fá-lo(s), fá-lo(s)-ás, habitá-la(s)-iam, etc.
3. As que, tendo mais de uma sílaba, terminam no ditongo nasal -em (exceto as formas da 3.ª pessoa do plural do presente do indicativo dos compostos de ter e vir: retêm, sustêm; advêm, provêm, etc.) ou -ens: detém, deténs, entretém, harém, haréns, porém, provém, também, parabéns.
4. As terminadas nos ditongos abertos -éi, éu ou ói, seguidos ou não de -s: anéis, papéis; céu(s), chapéu(s), ilhéu(s), véu(s); corrói (de corroer), herói(s), remói (de remoer), sóis.
Com acento circunflexo:
5. As terminadas nas vogais tónicas fechadas -e ou ­o, seguidas ou não de -s: cortês, lê, lês, português, você(s); avô(s), pôs (de pôr), robô(s).
6. As formas verbais que, conjugadas com os pronomes clíticos -lo(s) ou -la(s), ficam a terminar nas vogais tónicas fechadas -e ou -o: detê-lo(s), fazê-la(s), fê-lo(s), vê-la(s), compô-la(s), repô-la(s), pô-la(s).
7. As que têm vogais tónicas grafadas i e u antecedidas de uma vogal com que não formam ditongo e desde de que não constituam sílaba com a eventual consoante seguinte, excetuando o caso de s: aí, atraí (de atrair), baú, caís (de cair), Esaú, Luís, país, etc.
8. O infinitivo pôr, única palavra da língua portuguesa terminada em –r que é acentuada. Todos os seus compostos ficam de "cabecinha ao léu": impor, compor, repor, etc.
Com acento grave:
9. As que resultam da contração da preposição a com as formas femininas do artigo a e as: Vou à (a+a) praia e às (a+as) compras.
Abraço.
AP

dezembro 22, 2013

.De onde vem a palavra BROA?

 
 Este é um caso em que a origem da palavra nada tem a ver com o latim, pois vem de borúna (termo do idioma pré-romano da Hispania),  pelo castelhano borona.
José Pedro Machado, no Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, refere um texto português de 1174, em que o uso de boroa alterna com borona.
Muitas e boas "borúnas" para todos!
AP

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dezembro 20, 2013

.Qual a origem da palavra CENOURA?


Seguramente, cenoura vem do árabe vulgar isfanâriya. No entanto, a palavra não entra diretamente na língua portuguesa.
Enquanto a Infopédia apresenta como intermediário o castelhano antigo zahanoria, José Pedro Machado (Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa) admite essa hipótese, mas considera que o processo de evolução da palavra é pouco claro e que “conviria (...) estudar a história deste produto da terra no nosso país.”
Abraço e bom fim de semana!
AP
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dezembro 18, 2013

.De onde vem a palavra VERMELHO?

A cochonilha é a personagem principal do artigo de hoje...

Não surpreende que a origem da palavra de hoje esteja no latim vermicŭlu-. Interessante é o facto de o sentido original do termo ser “pequeno verme”, referência à cochonilha (ou cochinilha), inseto parasita de plantas e árvores frutíferas, de que se extraía o carmim (substância corante vermelho-vivo), utilizado em tintas, cosméticos e como aditivo alimentar.

Abraço.
AP
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dezembro 17, 2013

.Prova de avaliação dos “profes”: o monstro avança mesmo…

Parece que aquela “coisa” travestida de avaliação válida e fiável se vai mesmo realizar amanhã.
O que é que a prova vai avaliar com relevância para o exercício prático da docência? Nada, absolutamente nada!
Tanto o Provedor de Justiça como a UGT acabaram (ingenuamente?) por validar um monstro sem pés nem cabeça.
O Provedor pediu ao Ministro da Educação para poupar “os professores contratados e mais experientes à prova de avaliação de conhecimentos”, enquanto a UGT cedeu a troco de um acordo que “salva” os docentes com cinco ou mais anos de serviço.
Em ambos os casos, se ignorou o essencial: como se aplica uma prova teórica sem qualquer relação com a prática letiva a pessoas que já exerceram e tiveram uma avaliação do desempenho no terreno? É caso para dizer que de boas intenções está o Inferno cheio…

Notas finais:
1. Que os tribunais decidam que a prova não é ilegal nem “causa danos irreparáveis” não surpreende, uma vez que o que entra pelos olhos dentro é que ela é, acima de tudo, estúpida e inútil. Mas esse é um veredicto que não podemos esperar dos tribunais…
2. Espanta-me o despudor da ex-Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, quando, a cavalgar a onda de contestação, vem dizer que o Governo geriu com "atrapalhação e incompetência" prova dos professores. “Diz o roto ao nu: porque não te vestes tu?”

Um abraço solidário a todos os que amanhã vão ser cobaias do pseudorrigor* de Nuno Crato.
António Pereira

*É estranha a grafia, mas é mesmo assim. BASE XVI do AO90, nº 2 a).

dezembro 13, 2013

.bolorrei, bolo-rei ou bolo rei?

 
1. Sendo verdade que o Novo Acordo semirrevolucionou a hifenização, as alterações aplicam-se, sobretudo, às formações por prefixação (autoavaliação, coopção, minirrelatório…) e às locuções (pão de ló, fim de semana, canto do cisne…).

2. Em relação às palavras compostas, sem elementos de ligação (como é o caso de hoje), nada de novo. O AO90 retoma a regra consagrada pelo Formulário de 1943 (Brasil) e pelo Acordo de 1945 (Portugal): “Emprega-se o hífen nas palavras compostas por justaposição que não contêm formas de ligação e cujos elementos, de natureza nominal, adjetival, numeral ou verbal, constituem uma unidade sintagmática e semântica e mantêm acento próprio, podendo dar-se o caso de o primeiro elemento estar reduzido: ano-luz, (...), arco-íris, decreto-lei (...), médico-cirurgião, rainha-cláudia, tenente-coronel, tio-avô (...), amor-perfeito, guarda-noturno (...); afro-asiático, afro-luso-brasileiro, azul-escuro, luso-brasileiro, primeiro-ministro, primeiro-sargento, (…) guarda-chuva.” (Nº 1 da Base XV do NAO)

Havendo unidade semântica na adição bolo+rei, neste Natal, a tradição vai continuar a ser o que era: bolo-rei, embora sem brinde nem fava…

QUANTO À ORIGEM DO BOLO-REI:
"Surgiu no fim do séc. XVII, em França, na corte de Luís XIV. Com a Revolução de 1789, a sua venda foi proibida e o bolo passou a chamar-se gâteau des sans-culottes (*). A receita que se tornou popular em Portugal é originária da região de Loire." Fonte: Revista Sábado (12.12.2013).
*Sans-culottes foi o nome dado pelos aristocratas, durante a Revolução Francesa, aos artesãos, trabalhadores e pequenos proprietários. Os culottes eram uma espécie de calções justos (que apertavam no joelho) usados pelos nobres e burgueses ricos. Os homens de outros extratos sociais usavam calças largas grosseiras feitas de algodão.

Abraço!
AP

dezembro 07, 2013

.De onde vem a palavra SANDE(S)?


1. Enquanto no português do Brasil só encontramos sande para o singular (parecendo, no entanto, que o termo preferido é sanduíche que, ao contrário do que acontece em Portugal, é do género masculino: um sanduíche), no português europeu, é possível sande e sandes no singular: uma sande ou uma sandes.
2. Dito isto, vamos à origem da palavra.
Sande(s) é uma forma reduzida (por apócope) de sanduíche, tendo esta origem no inglês sandwich.

Nota final:
A palavra inglesa formou-se por derivação imprópria, tendo passado de Sandwich (nome próprio) a sandwich (nome comum).
É comum atribuir-se a invenção da sanduíche a John Montagu, 4º Conde de Sandwich (1718 — 1792). Embora tal autoria não esteja comprovada, partilho a história:
Conta a história, que certa noite, enquanto participava em mais uma rodada no jogo das cartas, pediu a um de seus criados que preparasse uma coisa "simples e rápida", pois não queria abandonar o seu passatempo preferido.
Sem saber o que fazer, o criado pegou em dois pedaços de pão e colocou um naco de presunto no meio. O lorde adorou a novidade. Nunca mais jantou e passou a comer só sanduíches.
(…) A invenção virou mania universal. Com o seu aspeto atraente, uso prático e a possibilidade de receber uma infinidade de novos ingredientes, possibilitando grande variabilidade, a sanduíche viu passar dois séculos de história sem perder o seu glamour. Adaptado de http://www.ufrgs.br/Alimentus/pao/curiosidades/sanduiche.htm

Abraço.
AP
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dezembro 06, 2013

.Que sentidos pode ter a palavra NATIVO?


Enquanto o adjetivo pode assumir múltiplos sentidos, o nome NATIVO, segundo a Infopédia, pode significar três coisas, uma geral e duas mais específicas:
 
1. Indivíduo nascido em determinado lugar; natural.
         2. Indígena.
              3. Indivíduo nascido sob determinado signo do zodíaco.
Bom fim de semana para todos!
AP

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dezembro 05, 2013

.De onde vem a palavra ELEVADOR?

 
Sem grande surpresa, constatamos que o termo elevador (também conhecido como ascensor) vem do latim elevatōre- («o que eleva»).
Interessante mesmo é a história desta invenção:
Foi criado no séc. I A.C. pelo romano Vitruvius, que usou uma plataforma suspensa dentro de uma cabina para transportar verticalmente pessoas e objetos pesados. Um dos elevadores mais emblemáticos da História, instalado em 1743 no Palácio de Versalhes, França, por Luís XV, ligava os seus aposentos aos da amante.
Fonte: Revista portuguesa Sábado (28/11/2013).

Abraço.
AP
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